Orientação Psicológica  


O ser humano quando nasce, ainda com o seu potencial a ser desenvolvido, precisa “aprender” com o outro em uma relação amorosa. A aprendizagem tem, portanto, a função de introduzindo o indivíduo na cultura. Diferentemente dos outros animais, nós não somos movidos apenas pelas nossas pulsões mais primitivas (sexuais de sobrevivência), mas as transformamos em necessidades intelectuais.

O “aprender” acontece quando um sujeito em sua interação com o meio incorpora a informação oferecido por este, segundo seu interesse. É um processo natural e dinâmico, que se realimenta a cada instante em que surge um novo interesse pelo saber. A complexidade desse fenômeno, entretanto, se deve ao fato de que na elaboração da informação recebida por cada um de nós, entram em jogo questões de ordem afetiva, cognitiva, pedagógica e social, desafiando qualquer tentativa de explicação a partir de um discurso científico único.

Na aprendizagem reconhecemos um Sujeito/Aprendente inserido em um contexto sociocultural, que se utiliza tanto da objetividade (Inteligência), quanto da subjetividade (desejo) para aprender. Para aprender, portanto, é preciso não somente raciocinar, como desejar aprender. O desejo será a nota propulsora do interesse pelo conhecimento.

Segue a indagação: existe desejo presente em todos os indivíduos? Nem sempre. Pelas vias do desejo muitas vezes aprisionando, onde o aprendente (aluno) manifesta-se, naquele momento, como alguém que não consegue aprender o conteúdo, não consegue questionar a si mesmo e aos outros, não consegue envolver-se com as propostas de trabalho pedagógicas e realizar perguntas significativas por receio de expor suas falhas é que surge a necessidade de interação do psicólogo procurando dar sentido à subjetividade que se coloca neste momento.

O seu trabalho será sempre na direção de promover uma reflexão mais profunda em todos os envolvidos no processo de aprendizagem: alunos, fazendo-os acreditar sempre na possibilidade de resgatar algo que existe (desejo), mas que por diferentes razões está presente no momento; pais, encorajando-os a legitimarem a inteligência de seus filhos aprendentes; educadores, levando-os a acreditar na possibilidade permanente de mudanças significativas em seus alunos.

A função primordial de psicólogo escolar é observar as necessidades dos que circulam à sua volta e facilitar as relações interpessoais, trabalho este que acontece nos atendimentos e orientação psicológica a pais e alunos, no desenvolvimento de orientação vocacional e profissional, na execução de trabalho do centro psico-pedagógico em sala de aula, na questão de adaptação dos alunos à realidade escolar, na realização de tarefas de ordem institucional, como recrutamento e seleção de pessoal, entre outros.